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Santos,13/06/2026

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    Facção criminosa impõe taxas e controla serviços em conjunto habitacional na zona norte do Rio

    Moradores relatam cobranças para permanecer nos imóveis e acesso restrito a serviços básicos em condomínio da Pavuna.

    Portal Sindiconline
    Facção criminosa impõe taxas e controla serviços em conjunto habitacional na zona norte do Rio Pichação do Comando Vermelho | Reprodução/TV Jornal

        Um conjunto habitacional do programa Minha Casa, Minha Vida, localizado no bairro da Pavuna, na zona norte do Rio de Janeiro, está sob influência de integrantes do Comando Vermelho (CV), segundo denúncias e informações divulgadas por autoridades de segurança pública. Os criminosos teriam assumido o controle de parte da rotina dos moradores, impondo cobranças e explorando serviços considerados essenciais.

        De acordo com os relatos, os residentes passaram a pagar valores adicionais para utilizar serviços como internet e fornecimento de gás. Além disso, uma taxa mensal de R$ 300 estaria sendo exigida dos moradores para que permaneçam nos apartamentos do condomínio.

        Com cerca de 800 unidades habitacionais, o local pode gerar uma arrecadação superior a R$ 240 mil por mês apenas com a cobrança dessa taxa, sem incluir os lucros obtidos por meio dos demais serviços explorados pela organização criminosa.

        O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Cesar dos Santos, afirmou que a expansão das facções em determinadas comunidades ocorre em razão da ausência do poder público em algumas regiões. Segundo ele, os grupos criminosos passaram a adotar práticas semelhantes às que historicamente eram associadas às milícias, controlando atividades econômicas e serviços básicos.

        Entre os serviços que, segundo as autoridades, costumam ser explorados por organizações criminosas estão internet, transporte alternativo, fornecimento de água, energia e até atividades ligadas à construção civil. Para o secretário, a ocupação de conjuntos habitacionais por esses grupos representa um dos desafios mais complexos para as forças de segurança.

        Atualmente, o estado do Rio de Janeiro possui aproximadamente 1.900 comunidades, sendo mais de 800 localizadas na capital. De acordo com dados da secretaria, uma parcela significativa da população vive nessas áreas, o que amplia a dificuldade de retomada do controle territorial por parte do Estado.

        O caso também ocorre em meio ao debate internacional sobre o combate às facções criminosas brasileiras. Recentemente, autoridades dos Estados Unidos classificaram determinados grupos do crime organizado como organizações terroristas. Para o governo fluminense, a medida pode contribuir para ações de bloqueio de recursos financeiros e patrimônio dessas organizações.

        Segundo informações encaminhadas por autoridades brasileiras ao governo norte-americano, existem indícios de que integrantes do Comando Vermelho mantenham conexões fora do país, incluindo possíveis ramificações em território americano.

        Além das questões relacionadas à segurança pública, especialistas apontam que a atuação de facções em áreas residenciais afeta diretamente direitos fundamentais da população, como moradia, acesso a serviços essenciais e liberdade de circulação. O avanço desses grupos em conjuntos habitacionais reforça o debate sobre a necessidade de maior presença do Estado em regiões vulneráveis.




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