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Santos,04/03/2026

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    Chuvas fortes voltam a alagar condomínio e deixam garagem debaixo d’água em Ribeirão Preto

    Imóvel construído nos anos 1970, abaixo do nível da avenida, sofre com enchentes recorrentes; moradores pedem melhorias urgentes na drenagem.

    Portal Sindiconline
    Chuvas fortes voltam a alagar condomínio e deixam garagem debaixo d’água em Ribeirão Preto Registro de 2015 mostra muro do condomínio destruído após forte chuva que atingiu a região da Marginal da Avenida Leão XIII, em Ribeirão Preto — Foto: Acervo EPTV

        Um condomínio residencial localizado na zona Leste de Ribeirão Preto (SP) voltou a enfrentar sérios transtornos após as chuvas intensas registradas na quarta-feira (14) e na quinta-feira (15). Em dois dias consecutivos de temporal, a água invadiu o local, deixando o estacionamento alagado, atingindo áreas comuns e chegando a apartamentos do térreo.

        Situado na Marginal da Avenida Leão XIII, na Rua Alfredo Benzoni, próximo ao cruzamento com a Rua Arnaldo Vitaliano, o prédio foi construído na década de 1970 em um ponto mais baixo do que a via principal, fator que contribui para a recorrente entrada de água durante períodos de chuva intensa.

        Registros feitos por moradores mostram a força da enxurrada que tomou conta do condomínio nos dois dias. As imagens revelam o estacionamento parcialmente submerso, corredores alagados e a água avançando para dentro do primeiro bloco residencial. Em fotos, também é possível ver lixo, lama e detritos sendo arrastados para o interior do prédio.

        A síndica do condomínio, Maria Thomazini, relata que os episódios de alagamento se tornaram frequentes e que os moradores convivem com o problema há anos.


        “Na quarta-feira já tivemos muita água no estacionamento e dentro dos apartamentos. Na quinta, por volta das seis da tarde, a situação ficou ainda pior. Não era possível circular. Precisamos abrir o portão para escoar a água, mas junto vem todo o lixo da rua”, contou.


    Problema antigo e riscos constantes


        Essa não é a primeira ocorrência grave no local. Em 2015, uma forte chuva provocou o desabamento de um muro do condomínio, que caiu sobre nove veículos estacionados em um prédio vizinho.

        Desde então, moradores afirmam que cobram soluções definitivas para reduzir os riscos. A subsíndica, Casimira Castello, explica que a preocupação maior é com a segurança das pessoas.


        “O volume de água é muito grande. Como o terreno é inclinado, a enxurrada invade os carros e entra diretamente no Bloco 1, que fica na parte mais baixa. Tudo o que estava ao nosso alcance internamente já foi feito. Agora precisamos de intervenções externas, que dependem da prefeitura”, afirmou.


    Avaliação técnica aponta necessidade de obras estruturais


        Para o engenheiro civil José Roberto Romero, o problema exige uma análise mais abrangente do sistema de drenagem da região, que está ligado à bacia do Rio Catete, responsável pelo escoamento para o Córrego do Retiro.

        Segundo ele, a ampliação das galerias pluviais pode ser uma alternativa, mas somente após um estudo hidrológico detalhado e a verificação das condições do sistema atual, que pode estar obstruído.

        O engenheiro também alerta para os impactos da impermeabilização do solo.


        “Quando o solo é totalmente coberto por concreto e asfalto, a água não infiltra e acaba sendo direcionada rapidamente para as galerias, sobrecarregando o sistema. O uso de pavimentos drenantes é uma alternativa eficiente, inclusive contribuindo para a recarga do Aquífero Guarani”, explicou.


        Romero destaca ainda que eventos climáticos extremos tendem a se tornar mais frequentes, o que reforça a necessidade de soluções modernas e planejamento urbano adequado.


    Posicionamento da Prefeitura


        Em nota, a Prefeitura de Ribeirão Preto informou que a Secretaria de Infraestrutura e Zeladoria realiza ações preventivas em diversos pontos da cidade, como limpeza de bocas de lobo, manutenção de galerias pluviais e drenagem das vias públicas.

        A administração municipal reconhece que o sistema de drenagem urbana sofre impacto do aumento significativo das chuvas, agravado por eventos climáticos extremos, o que pode superar a capacidade de escoamento em determinados momentos.

        Segundo a prefeitura, está em andamento a atualização do sistema de drenagem urbana, prevista no novo Plano Municipal de Saneamento Básico, que deverá contemplar melhorias estruturais para minimizar esse tipo de ocorrência.




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